quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Bons profissionais e excelentes profissionais - Augusto Cury (2008)

Nos primeiros trinta segundos de tensão cometemos os maiores erros de nossa vida. A sabedoria recomenda que quando somos contrariados, não deveríamos estar debaixo da ditadura da resposta, mas no oásis do silêncio. (p. 20)

Mas quem decifra a sua intuição criativa? Somos treinados para dar respostas fechadas, começando pelas provas escolares. Existe uma ideia acadêmica falsa sustentando que os melhores alunos são os que tiram as melhores notas, os que registram com mais exatidão as informações nas provas.
Esse conceito pode ser uma verdade para os anais da escola clássica, ms não para a escola da existência, a escola social. Os melhores alunos no teatro social são os que aprenderam a decifrar intuitivamente os códigos da inteligência. São os que expressam seus pensamentos, ousam, criam, inventam, imaginam. São os que caem, levantam e não desistem de caminhar. São os que encantam, envolvem, lideram. (p. 21)

A maior tarefa de um ser humano é ser líder de si mesmo e a maior tarefa de um líder é sair da plateia, entrar no palco da sua mente e ser autor da sua história. (p. 26)

Um ser humano sem história é um livro sem letras, uma foto sem imagem, um rio sem nascente. Com lágrimas ou júbilo, acertos ou falhas, nossa história é um tesouro insubstituível... (p. 29)

O córtex cerebral tem milhões de janelas e cada janela contém pelo menos milhares de experiências e informações. Através das janelas nós interpretamos os estímulos, vemos a vida e reagimos aos eventos.
Quanto maior o número de janelas abertas, maior será a dimensão do raciocínio. Se o numero de janelas for restrito, podemos transformar uma barata em um dinossauro, um elevador em um cubículo sem ar, um conflito entre palestino e judeu em um fenômeno intransponível. (p. 29)

O problema é que o pensamento usado na educação e comunicação social, o pensamento dialético, é apoiado em um número reduzido de janelas. O uso excessivo do pensamento dialético travou a inteligência humana. Só alguns vencem esse bloqueio e brilham como pensadores. (p. 30)

Quem não critica o que crê não lapidará suas crenças, quem não lapida suas crenças será servo das suas verdades. E se suas verdades são doentias, certamente será uma pessoa doente. (p. 36)

Jesus insistia em dizer que era o filho da humanidade: "Sou o filho do homem". Tal expressão assombrosa revela que ele não tinha raça, cor, nacionalidade, religião. Foi o primeiro homem sem fronteiras, mas os homens querem aprisioná-lo em seus mundos e dogmas e fazê-lo sua propriedade. (p. 38)

Julgar comportamentos é um raciocínio lógico-linear, analisar as causas é um raciocínio histórico-psíquico. Excluir pela cor da pele, religião, casta social, é um raciocínio lógico-linear; incluir, solidarizar-se, apoiar, é um raciocínio histórico com abrangência psíquica, social e existencial. Ter ataques de ciúmes e inveja são raciocínios lógico-lineares, compreender e dar liberdade são raciocínios multiangulares. (p. 39)

Quem ama o poder não é digno dele. Certamente o usará para controlar as pessoas e se perpetuar nele. (p. 40)

As universidades, com as devidas exceções, são templos doentios, que formam pessoas doentes para viver em uma sociedade doente. Preparam jovens para dizer amém para o sistema e não para repensá-lo. (p. 43)

Alguns professores de psicologia discorrem sobre as doenças psíquicas sem exaltar o doente, sem valorizar sua complexidade e criatividade. Não mostram que cada ser humano tem um mundo fascinante para ser desvendado. (p. 43)

Infelizmente as religiões e o sistema educacional falharam muito em não estudar os códigos da inteligência de Cristo. Muitas atrocidades teriam sido evitadas. (p. 45)

Quem corrige o insensato recebe afronta contra si. Quem o deixa se perder em seu caos dá-lhe oportunidade para se reconstruir. (p. 45)

Um bom profissional faz tudo o que lhe pedem, enquanto um excelente profissional surpreende, faz além do que os outros esperam. (p. 51)

Seria um absurdo se observássemos um motorista tirar as mãos do volante e deixar o carro seguir ao seu bel-prazer. Colisões aconteceriam, ferimentos imprevisíveis seriam gerados. Mas esse absurdo ocorre em nossa psique. As pessoas deixam suas emoções soltas, sem direcionamento, sem gerenciá-las minimamente.
Submetem-se ao seu humor triste, fóbico, depressivo, pessimista, como se fossem marionetes, como se não tivessem nenhum poder gerencial. Não têm consciência que essas emoções são registradas em segundos nos bastidores da sua mente, e uma vez arquivadas não podem ser mais deletadas. (p. 58)

Exigir de um filho ou aluno que reconheça seus erros e sejam sóbrios no exato momento em que erram é uma afronta. Exigir que nosso cônjuge, parceiro(a) ou namorado (a) seja coerente durante uma crise de ansiedade é um desrespeito. Cobrar dos funcionários lucidez e reflexão no exato momento em que tropeçam ou falham é uma injustiça. Nesses momento, tais pessoas estão presas pelas janelas killers, bloquearam milhares de outras janelas, não têm, portanto, condições de pensar, analisar, refletir, enfim de pensar por múltiplos ângulos.
No primeiro momento, espere que a temperatura emocional de quem falhou abaixe, dê um momento para ele respirar, refletir. Espere uma hora, um dia, uma semana, o que for necessário. No segundo momento, seja gentil e o elogie. Encontre pontos nos quais ele possa ser valorizado, ainda que você tenha dificuldades de encontrá-los. Enfim, conquiste a sua emoção. Somente no terceiro momento aponte os erros, disseque as falhas. (p. 70)

A vida é um grande e complexo texto, que precisa de muitas vírgulas para ser escrito, ainda que essas vírgulas assumam em alguns momentos o formato de lágrimas. (p. 95)



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