domingo, 8 de janeiro de 2017

A Carícia Essencial - Viva bem com as pessoas que você ama - Roberto Shinyashiki (1985)

No início de meu treinamento em Análise Transacional, tive a honra de aprender com um dos maiores especialistas da área: um argentino chamado Cecílio Khermam. Certa vez, ele disse uma frase que ficou para sempre em minha memória: "Quando você não estiver entendendo o que está acontecendo com alguém, pense em termos de Carícias". (p. 8)

Desenvolvida pelo psiquiatra canadense Eric Berne, a Análise Transacional traz o conceito de stroke, que significa, ao mesmo tempo, estímulo, toque, Carícia e reconhecimento. Infelizmente, em português, não há uma palavra que traduza a plenitude de seu significado, o que leva algumas pessoas a optarem pelo uso do termo em inglês. (p. 11)

Pensei no rumo que pode tomar a vida de alguém que tem tudo, menos amor. (p. 18)

Quantas vezes, na ânsia de melhorar um projeto, os empresários criam um ambiente no qual os funcionários se sentem sempre incompetentes? É muito triste ver como as pessoas cometem bobagens porque não se sentem valorizadas. (p. 19)

É simples: o segredo de qualquer relacionamento, seja familiar, social, profissional ou mesmo conjugal, é ajudar as pessoas a se sentirem importantes. (p. 21)

Para ter a deliciosa sensação de amar e ser amado, você precisa resolver suas carências e ajudar as pessoas com quem vive em conflito a se sentirem importantes e competentes. Essa é a base de um relacionamento saudável. (p. 22)

Parece até que as pessoas acham que gostar ou admirar alguém dá o direito de ferir o outro. Eu me lembro de uma professora que tive no mestrado em psicologia. Ela me perseguiu por vários anos, mas sempre justificava: "Pego no seu pé porque admiro muito você". Mas será que é preciso ser assim? Será mesmo necessário torturar as pessoas que admiramos? Isso também acontece nas famílias. Parentes queridos se machucam por acreditar que o amor é tanto que o outro aguentará tudo! Quer a verdade? Não aguenta. Mesmo quem aparenta ser uma fortaleza tem seus pontos fracos, seu calcanhar de aquiles. (p. 23)

O mundo é formato por muitos Aquiles modernos, que suportam quase tudo, mas desmoronam quando seu ponto fraco é tocado. (p. 24)

O mecanismo que começa uma discussão costuma ser assim: geralmente, no começo da conversa, ambos precisam provar que são importantes. Em seguida, começam a discussão e um toca o ponto fraco do outro, que desaba, e o embate nunca acaba bem. Os dois saem da briga sentindo-se traídos, desvalorizados. No final, um quer estar o mais longe possível do outro.
A verdade é que as pessoas se deixam machucar porque são carentes de afeto e de reconhecimento, e esse é seu calcanhar de aquiles. Essas carências em geral têm origem lá atrás, na infância. E há pessoas que passam a vida tentando receber o que faltou quando eram crianças. (p. 25)

A carência é a sensação de vazio existencial que se manifesta como tristeza contínua, insegurança, desânimo ou irritabilidade e que provoca a tentativa impulsiva de resolvê-la com outras pessoas, com bens materiais ou reconhecimento. (p. 25)

Há diversos sinais que indicam que você pode estar com a síndrome da carência afetiva: tristeza profunda sem causa aparente, doenças frequentes, repetição de conflitos nos relacionamentos pessoais, afetivos, familiares e/ou profissionais, irritabilidade, agressividade, isolamento permanente, necessidade excessiva de agradar, de ser reconhecido e aprovado, insegurança permanente e autoestima baixa. (p. 26)

Sabe aquela situação em que você se sente bem com as palavras de alguém, pois a mensagem amenizou uma fraqueza que há no seu coração? É justamente nessa hora que abriu espaço para o manipulador. (p. 27)

Um recado para os "Don Juans" e para as "Donas Juanas": no fundo, a sede de conquista também é carência afetiva. (p. 28)

E aqui vale um alerta: não confunda carência afetiva com carência sexual. Há muitos casais que se relacionam muito bem sexualmente, só que a amizade, o amor e a cumplicidade entre eles nunca aconteceu. (p. 28)

"Você só me critica."
"Você não me entende."
"Você não me ajuda na minha carreira."
"Você me desapontou."
Lembre-se bem dessas frases. Elas sempre são usadas por pessoas que se iludiram por achar que alguém resolveria suas carências. Ninguém pode suprir suas carências a não ser você mesmo. (p. 29)

É mais fácil estruturar relacionamentos com pessoas que nos machucam do que ficar sozinho e administrar os próprios monstros. (p. 30)

Tudo começa com o reconhecimento. Todos nós precisamos nos sentir importantes. Na linguagem da Análise Trasacional, chamamos esse reconhecimento de Carícia. (p. 31)

A Carícia é a unidade do reconhecimento humano. As pessoas demonstram que se reconhecem, que se importam umas com as outras, por intermédio da troca de Carícias. Carícias são vitais. São estímulos necessários à vida. (p. 32)

Na mesma experiência, Harlow observou que os macacos criados em solidão apresentaram quadros graves de comportamento: evitavam todo contato social, pareciam sempre amedrontados e tinham uma postura de encolhimento e de abraçar a si mesmos. Se o período de isolamento durasse mais um ano, a situação se tornaria irreversível.
Portanto, a estimulação tátil, além de significar uma troca gostosa e de propiciar sensações de proteção e segurança, fornece material para o indivíduo criar uma identidade. (p. 34)

A estimulação positiva ou negativa, como nos mostra Levine, acelera o funcionamento do sistema glandular suprarrenal, que desempenha papel importantíssimo no comportamento dos animais adultos. Os animais manipulados abrem os olhos mais cedo, desenvolvem a coordenação motora em pouco tempo, tendem a ser significativamente mais pesados ao desmamar e apresentam pelos que crescem com mais rapidez. Têm, ainda, maior resistência a uma injeção de células de leucemia, por um tempo mais longo. (p. 35)

Em lugares onde não há assistência médica, a criança quando está com anemia come terra. E ela não come qualquer terra, mas leva à boca apenas a que tem ferro, que é do que ela precisa. Quando o pai vê o filho fazendo isso, já deduz que ele está com lombrigas, pois é um verme que costuma consumir o ferro do organismo. (p. 36)

Quando criança, você sabe pedir a Carícia de que precisa: amor, carinho, respeito. Quando os pedidos são em vão, a certa altura abrimos mão de pedir as Carícias de que precisamos e começamos a lutar para ter as carícias disponíveis no ambiente, como faz a criança que come terra e a grávida que come a casca da parede. (p. 37)

Sua indiferença pode machucar muito a pessoa que você ama. Sei que você tem muitos afazeres. Sua agenda deve estar tão lotada quanto a minha. Mas é importante você encontrar uma forma de ajudar as pessoas que você ama a se sentir importantes. (p. 38)

Frequentemente, por características de personalidade ou de estilo de vida, os pais não dispensam a atenção necessária aos filhos ou não dão o tipo específico de atenção que eles querem receber. Por exemplo: a criança pode ter recebido muito apoio financeiro, mas queria o pai brincando com ela. (p. 39)

Como Jorge não sabia dar amor, apenas dinheiro, os filhos aprenderam a pedir a ele coisas que o dinheiro podia comprar. Eram essas as Carícias que podiam receber do pai. Quando percebeu que só o procuravam para pedir coisas materiais, Jorge ficou desapontado. Ele queria amor, queria que os filhos dessem uma coisa que não receberam dele. (p. 40)

Antes da cirurgia, essa mulher recebia muita atenção por ser "doente". Com o sucesso da operação, a família e os amigos começaram a lhe dar menos atenção, já que ela não era mais "doente". O marido aceitou um trabalho novo em outra cidade, o filho predileto saíra de casa para morar sozinho e as amigas deixaram de procurá-la para saber do "problema". (p. 42)

O garoto, apesar de inteligente, ia muito mal nos estudos. Vivia trocando de escola e não se adaptava a nenhuma delas. Foi reprovado duas vezes. Sabe em que momento ele tinha um pouco mais de atenção dos pais? Quando eles eram chamados pela escola para conversar sobre seu fraco rendimento. (p. 43)

As Carícias incondicionais são os reconhecimentos pelo que a pessoa é, independentemente do que ela faz. Entender as Carícias incondicionais é importante porque elas são muito poderosas para o bem ou para o mal. Por isso, dizemos que há Carícias incondicionais positivas e negativas.
As carícias incondicionais positivas são elogios que você recebe sem pedir, sem fazer nada. (p. 47)

Já as Carícias incondicionais negativas fazem você se sentir um fardo, trazem mensagens duras e têm alto poder de destruir a autoestima de uma pessoa.
Ou seja, não importa o que tenha feito, você será sempre o vilão da história. (p. 47)

"Depois que você nasceu, minha vida virou um inferno."
"Você destruiu minha vida."
Quando alguém lhe disser uma dessas frases, responda: "Desculpe, mas você é o dono de sua vida. Nem que eu quisesse não teria o poder de fazer isso com você". (p. 48)

As Carícias condicionais são os reconhecimentos pelo que a pessoa faz, benfeito ou malfeito, ou em decorrência de alguma conduta ou realização. Por isso, também, podem ser positivas ou negativas, e sempre vêm com um julgamento de valor: isso é bom, isso é mau. (p. 48)

As Carícias condicionais negativas são importantes, pois são uma referência do que precisamos fazer para melhorar nossas atitudes, principalmente quando são dadas com respeito e vontade de que o outro evolua.
Hoje, muitas pessoas entram em depressão porque se organizam para receber, em sua vida profissional, a maioria das Carícias condicionais pelo que fazem, mas vivem sem receber carícias pelo que são (incondicionais) e ficam com a vida vazia. (p. 49)

As Carícias adequadas são aquelas que nos ajudam a crescer, que nos fornecem meios de desenvolvimento, mesmo que não sejam doces. (p. 50)

Infelizmente, há pessoas que não aceitam críticas, pois querem sempre se sentir o máximo. Com isso, acabam limitando a manifestação dos outros e perdem a chance de aprimorar sua maneira de ser. (p. 50)

Carícias de plástico são as falsas carícias. São aquele tipo muito tóxico de Carícias dadas pelos puxa-sacos e manipuladores. As pessoas que dão esse tipo de Carícias não estão interessadas em ajudar você, mas sim em fazer bem a si mesmas. (p. 51)

Quem deixa um cargo político, por exemplo, percebe claramente o vazio provocado pelo afastamento dos bajuladores. De uma hora para outra, acabam-se os presentes, os tapinhas nas costas. (p. 52)

A Carícia essencial é aquela que consegue curar uma dor incessante, e que é resultado de uma ferida criada lá atrás. É um verdadeiro bálsamo, preciso e fundamental, e de um poder inacreditável. (p. 52)

Para curar essa ferida, só uma Carícia essencial. essa Carícia poderia ser dada por sua mãe, mas também poderia vir de qualquer pessoa que tivesse a sensibilidade de reconhecer e conceber uma frase simples e poderosa: "Eu vejo que você se esforça muito, se empenha muito na educação de seus filhos. Você é uma boa mãe, mesmo trabalhando muito!". (p. 53)

Fomos condicionados a pensar que não podemos dar Carícias abundantes para as pessoas. Como resultado, há famílias em que há pouca troca de Carícias, casais com medo de dar afeto e muitos ambientes, como escolas e empresas, em que o calor humano raramente aparece. (p. 57)

O amor vira moeda de troca. Ninguém mais dá nada a ninguém se não tiver uma contrapartida. (p. 58)

A emoção da entrega é substituída pelo medo de ficar sem algo, de ficar vazio. Isso é miséria afetiva. Se as Carícias são em número limitado e podem acabar... (p. 58)

O resultado é mesquinhez de afeto e relacionamentos pobres. Homens e mulheres assam fome de amor, apesar da abundância de amor que existe nas pessoas. (p. 58)

Não aceite Carícias! A única maneira de receber Carícias é fazer coisas para consegui-las. Não havendo troca, você vai acabar devendo favores, e aí as pessoas vão terminar manipulando-o. É a "mulher-maravilha" que quer dar conta de tudo sozinha (dos filhos, do trabalho, do supermercado) para não depender da mãe, da sogra, do ex-marido, ou o gerente que não aceita ajuda para terminar o trabalho no prazo. Se percebessem que além de não precisar carregar sozinhas o mundo nas costas, fariam os outros sentirem-se importantes por poder ajudar, essas pessoas pediriam ajuda com mais frequência. (p. 59)

Essas situações ocorrem porque nosso organismo procura adaptar-se à situação de agressão. (p. 62)

Geralmente são pessoas que, quando crianças, recebiam muitas Carícias por comportamentos autodesqualificativos. Quando estavam doentes, confusas, raivosas, arrumando problemas, recebiam muitas carícias - mas não por serem elas mesmas, nem agirem saudavelmente. Suas frases prediletas são:
"Você tem que."
"Eu não consigo."
"Você não me entende."
"Eu não sei o que fazer." (p. 64)

Quando criança, depois de muito lutar para receber as Carícias de que necessitava, acabou perdendo a esperança de consegui-las e resolveu "se virar" sozinho.
A partir daí procurou cortar qualquer manifestação de emoção e de necessidades. Estrutura sua vida para manter os outros o mais longe possível, procura não chamar a atenção sobre si e até prefere passar despercebido. (p. 64)

Quando criança, apesar de ter resolvido "se virar" sozinho, não conseguiu manter essa decisão, pois o ambiente em casa era ameaçador.
Então, essa criança aprendeu a ficar na defensiva. Ela considera as pessoas importantes, mas tem medo de se aproximar, de fazer contato. Sente uma apreensão muito grande de que esse medo seja descoberto. (p. 65)

Mas, hoje, podem manter sua "bateria de Carícias" carregada e resolver suas necessidades naturais, para que não procurem todo o tempo repor estímulos que não receberam no passado e seguir repetindo cenas que hoje não acontecem. (p. 66)

Isso acontece muito com pessoas que não se condicionaram a resolver suas dificuldades. É uma forma de procurar um caminho mais simples, porque, às vezes, a relação com o outro está tão complicada que dá medo de enfrentá-la. A terceira pessoa vira uma válvula de escape. (p. 69)

Se você observar, verá que a maioria das pessoas finge ser uma pessoa que não é. Isso não acontece por maldade, mas simplesmente por um condicionamento equivocado.
Na infância, aprendemos a agir de determinada maneira para ganhar Carícias. O tempo passa e continuamos a agir da mesma maneira e não nos damos conta de que não vamos mais receber Carícias por aquilo. Não percebemos que o mundo mudou... (p. 72)

Rapidamente o bebê percebe que não vai ser fácil receber as Carícias de que necessita se agir espontaneamente. Passa então a modificar suas condutas, seus pensamentos e, em consequência, seus sentimentos. (p. 72)

Dar carícias gera mais Carícias. Há quem economize elogios, toques, olhares; economiza até orgasmos (com medo de acabar porque ainda acredita que os tem em quantidade limitada)! (p. 80)

A quantidade de Carícias que a mãe dá ao filho irá influir sobre a autoimagem dele; ao mesmo tempo, sua autoimagem de mãe vai levá-la a dar mais ou menos Carícias ao filho. É como um círculo vicioso: mais amor leva a um sentimento melhor de maternidade, que leva a mais amor, que... (p. 81)

Há pesquisas que mostram que os pais que espancam os filhos quase sempre foram espancados na infância e estão repetindo o comportamento vivido anteriormente. (p. 81)

Em todo relacionamento existem códigos, ou seja, comportamentos que elegemos para nos indicar se estamos sendo amados, odiados, valorizados etc. Você sabe exatamente o que fazer para deixar sua namorada feliz? Você também sabe o que fazer para deixar seu irmão louco da vida com você? Você sabe  que faz seu marido se sentir amado?
Conhecendo bem o outro, você pode escolher entre apertar o calcanhar de aquiles dele e afagar o coração dele. Quais escolhas você tem feito? (p. 82)

Dê carícias positivas quando quiser dar. Distribua as Carícias sem medo de ser julgado como um bajulador. (p. 87)

Aceite as Carícias positivas que oferecem. "Você joga muito bem." "Você é linda." "Nossa, como você é inteligente!" Quando você ouve frases como essas, logo vêm à mente pensamentos do tipo: "Ele só diz isso para me deixar contente". Não se deixe dominar por esse tipo de raciocínio, pois essa é uma cilada que corrompe o fluxo de dinâmica de Carícias. (p. 87)

Peça as Carícias positivas de que necessita. Quantas vezes seu orgulho não falou mais alto e você teve pensamentos do tipo: "Eu? Pedir a ele que diga se gostou do meu trabalho? Nem pensar! Se fizer isso, meu chefe vai pensar que estou carente". Abandone essa falsa crença que só faz você ficar solitário, pois ninguém é autossuficiente. Todos precisamos de Carícias e admitir isso não é vergonha, mas um ato de coragem. (p. 88)

Recuse as Carícias negativas que dão a você. Você não é obrigado a aceitar nenhum tipo de atitude que não faça bem a você, mesmo que seja para parecer simpático ou compreensivo com quem faz bullying. (p. 88)

Dê a você mesmo Carícias positivas. Não acredite no mito que a sociedade nos faz engolir: "As pessoas que se elogiam são vazias". Reconhecer as próprias qualidades é um ato de amor consigo mesmo, é dar-se Autocarícias. (p. 88)

Quando casais ficam presos em situações semelhantes, perdem a faculdade de olhar para a realidade de um ângulo verdadeiramente imparcial. A solução de tais situações pode ser encontrada olhando-se para o problema diretamente, com a ajuda de um conselho qualificado, se necessário. E a partir daí reconstruir o caminho da comunicação que ficou danificado pela aspereza desse período infeliz. (p. 90)

Nos dias de hoje, todos concordam que só uma pessoa que está de bem consigo mesma vai conseguir ter relacionamentos saudáveis. (p. 95)

Woody Allen, citando Groucho Marx, começa o filme Annie Hall com a seguinte piada: "Hoje fui aceito como sócio de um clube, mas não vou frequentá-lo jamais. Como posso frequentar um clube que aceita como sócio um sujeito como eu?". (p. 97)

Se estiver com um parceiro ou um amigo, ficará esperando o dia em que esse homem aprontará alguma com ela. Vai procurar a realização dessa crença, para confirmar que estava certa. Na verdade, as pessoas passam a vida coletando dados, situações, observações para provar que suas crenças básicas são verdadeiras.
Isso acontece como naquela história do velho comerciante que viu um jovem estrangeiro entrar em sua loja e, depois de algum tempo, perguntou-lhe como eram as pessoas de seu país. O estrangeiro respondeu: "eram todas hipócritas e mentirosas. Ninguém se suportava, não me arrependo de ter deixado aquele lugar. E aqui, como são as pessoas?". O velho disse: "aqui você vai encontrar pessoas como aquelas que deixou na sua terra". Logo depois, entrou outro estrangeiro e, passado algum tempo, o comerciante faz a mesma pergunta, ouvindo a seguinte resposta: "Ah, as pessoas de minha terra são carinhosas, sensíveis, amigas, muito honestas e leais. Você não sabe a dor do meu coração por ter precisado partir. E aqui, como são as pessoas?". E o sábio comerciante respondeu: "Aqui você vai encontrar pessoas como as que deixou em sua terra". (p. 98)

Mudar é um ato simples, mas há muitas maneiras de complicá-lo. Complicar a mudança é não se comprometer com ela. É se importar demais com o que os outros vão sentir ou pensar em razão da nossa transformação. (p. 103)

A maioria das pessoas quer e necessita ser entendida no seu crescimento. O problema é que muitos relacionamentos são de dependência afetiva. E as acusações ao outro têm origem nos problemas do relacionamento. (p. 104)

Um estudo demonstra que os casais alemães conversam em média trinta minutos por dia, até o segundo ano de matrimônio; depois aproximadamente quinze minutos até o quarto ano e, ao redor do oitavo ano, comunicam-se por frases breves, essenciais, que resultam em menos de um minuto de conversa diária. (p. 104)

Quando queremos que ele se torne estático, é como imaginar que o outro possa parar no tempo - é como tirar uma fotografia e querer que esse retrato dure o resto da vida. (p. 105)

E aumenta mais, até chegar a um desespero em que a pessoa começa a tentar calar a voz da consciência com álcool, comida, sexo, comprimidos para dormir, dançar até ficar exausta. O diálogo interno para por um tempo e depois volta com mais intensidade de tortura. (p. 108)

E, às vezes, uma Autocarícia é mais dolorida do que uma Carícia externa, pois é comandada por nós. Se pretendemos nos punir por algum motivo, seremos para nós mesmos os piores carrascos da face da Terra. (p. 109)

Um exemplo de dar Autocarícias positivas físicas é cuidar do sono. Muita gente dorme mal porque cuida mal do sono. No dia seguinte acorda tensa e cansada. Assim vai ao trabalho, fica tensa e mais cansada, acaba dormindo pior, e assim segue... (p. 113)

Muitas pessoas vivem esperando um "Papai Noel" que lhes traga a felicidade, esquecendo que têm o poder de mudar sua vida! (p. 114)

A cada momento estamos recebendo carga em nossa bateria. Nos dois compartimentos (no positivo e no negativo). É importante saber manter o compartimento positivo carregado em nível satisfatório, porque se ele estiver baixo aumentará a possibilidade de aceitarmos os estímulos negativos. (p. 115)

A nossa carga de carícias é representada pela seguinte fórmula: Carga de Carícias = Carícias familiares + Carícias conjugais + Carícias profissionais + Carícias sociais. (p. 115)

Afinal, uma dificuldade pode ser resolvida com muito sofrimento ou com muita serenidade.
A escolha depende de você. (p. 118)

Sempre que alguém tiver um comportamento pouco produtivo, certamente estará fazendo algo para receber uma Carícia que lhe faz falta. Descobrir e dar aquilo de que essa pessoa precisa é a melhor maneira de esvaziar esse comportamento. (p. 119)

Quando alguém, em qualquer lugar, tiver um comportamento que não faz parte do seu jeito de ser, está é falando bem alto: "Estou precisando me sentir importante para você!". (p. 120)

Quando os pais têm problemas com os filhos adolescentes, decidem tratá-los como se fossem sapos, até que eles resolvam agir como príncipes. Por outro lado, os adolescentes interpretam essa atitude como rejeição e começam a se comportar como se fossem sapos até que os pais voltem a tratá-los como príncipes. (p. 129)

Trate as pessoas como príncipe, mesmo que elas estejam agindo como sapos. De repente, você vai perceber que elas viraram príncipes de novo. (p. 129)

Você é livre!
Pense nisso por alguns segundos: você é livre; tem direito de escolher com quem e como vai viver. Você pode mudar a sua vida.
Você pode estruturar a sua vida do jeito que quiser.
Porque você é livre!
Você é livre para sofrer tudo o que você quiser!
Perceba que a sua liberdade lhe dá condições para sofrer tudo o que você quiser. A cara fechada de seu marido, que está resfriado, pode provocar uma crise conjugal de um mês.
Por causa de uma buzinada no trânsito, você pode se irritar o dia inteiro.
Com a alta do dólar na semana, você entra em depressão profunda.
Porque você é livre!
Nada ou ninguém pode impedir você de sofrer tudo o que você quiser.
Perceba que nem mesmo muito dinheiro pode impedir você de se sentir pobre.
Nem um grande amor pode impedir você de se sentir mal-amado.
Nem muitos amigos podem impedir você de se sentir solitário.
Nem mesmo o sucesso pode impedir você de se sentir um fracasso.
Porque você é livre!
Você só vai parar de sofrer quando quiser.
Perceba que a opção pelo sofrimento é sua.
Quando tiver um problema, pode resolvê-lo e crescer ou se martirizar com ele o resto da vida.
Algumas pessoas decidem estar no mundo para viver, outras para sofrer. E pensam que é seu destino sofrer. Isso é uma ilusão.
Só quando tomar uma decisão você vai parar de sofrer.
Porque você é livre! (p. 130)





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