segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Casa-grande & senzala - Gilberto Freyre (2005)

Foi a influência dos trópicos sobre os homens e valores do Velho Mundo que amoleceu a rigidez de certos costumes europeus, predispondo, assim, o português para uma colonização que também exigia adaptação e tolerância. (p. 9)

Os indígenas do Brasil não tinham animais de carga, mas apenas bichos domésticos. Eram os xerimbabos ou animais de estimação (as araras, os saguis, os patos). Ainda hoje esse costume é comum entre as populações do interior. (p. 20)

Foi o negro que animou de maior alegria a vida doméstica do brasileiro, marcada pela melancolia do português e pela tristeza do índio. Foi o africano quem deu vivacidade aos são-joões de engenho; quem animou os bumbas meu boi, os cavalos-marinhos, os carnavais e as festas de reis. Os negros trabalhavam quase sempre cantando. Nos engenhos, tanto nas plantações como nos tanques de lavar roupa. Cantando, mesmo quando enxugavam o prato, faziam doce e pilavam café. (p. 60)


Nenhum comentário:

Postar um comentário