PENSAMENTO
Para
pensar sobre os incontáveis eventos, objetos e pessoas em nosso
mundo, nós simplificamos as coisas. Para isso formamos conceitos,
que
são
agrupamentos
mentais de objetos, eventos e pessoas semelhantes. Por exemplo, no
caso de uma cadeira: temos vários tipos de cadeiras, alta,
reclinável, de bebê, de dentista; mas todas servem para sentar.
Para
simplificar ainda mais, criamos hierarquias
de
categorias, ou seja, subdividimos essas categorias em unidades
menores e mais detalhadas.
Formamos
os conceitos por definição,
por
exemplo, se um triângulo tem três lados, tudo o que tiver três
lados será um triângulo.
Solução
de problemas
Um
tributo à nossa racionalidade é nossa c
apacidade
de resolver problemas e lidar com novas situações.
Alguns
problemas são resolvidos pelo método de tentativa
e erro.
Para
outros problemas, usamos algoritmos,
conjunto
de
regras
e procedimentos completo que garante a solução, ainda que demorado.
Ex.: descrição passo a passo para a evacuação de um prédio em
caso de incêndio.
Heurística
é
uma estratégia de pensamento mais simples que pode nos ajudar a
resolver problemas rapidamente, mas que, por vezes, nos leva a
soluções incorretas. Seguindo o exemplo acima, seria como correr
para a sala ao lado ao sentir cheiro de fumaça.
Um
insight
é
um súbito lampejo de inspiração que resolve um problema.
Mas,
por mais inventivos que sejamos na resolução de problemas, a
resposta certa pode nos iludir.
Com
o viés
de confirmação, tendemos
a buscar provas que confirmem nossas hipóteses com mais disposição
do que buscar provas em contrário, sendo este um grande obstáculo
para a resolução de problemas.
A
fixação
é
a inabilidade de ver um problema sob uma nova perspectiva. Às vezes,
no entanto, um conjunto mental baseado no que funcionou no passado
exclui a possibilidade de descobrirmos uma nova solução para um
novo problema. Dois exemplos de fixação:
-
Conjunto mental – tendência de abordar um problema com a mente baseada em soluções que funcionaram anteriormente.
-
Fixação funcional – tendência a pensar apenas nas funções que nos são familiares para os objetos, sem imaginar usos alternati-vos. Por exemplo, uma pessoa pode revirar a casa em busca de uma chave de fenda, enquanto uma moeda poderia ser usada para girar um parafuso.
Desafio:
Como você organiza 6 palitos de fósforo para formarem 4 triângulos?
Se você não conseguiu é porque não está “pensando fora da
caixinha”, ou seja, tendo um pensamento livre das amarras
convencionais. (Respostas no fim do material)
Tomada
de decisões e julgamentos
Quando
tomamos decisões e fazemos julgamento centenas de vezes diariamente,
raramente paramos ou nos esforçamos para raciocinar.
Quando
precisamos agir com rapidez, os atalhos mentais que denominamos
heurísticas, quase sempre nos ajudam. Graças ao processamento
automático das informações pela nossa mente, os julgamentos
intuitivos são automáticos. Mas o preço que às vezes temos que
pagar pode ser alto.
A
heurística
da representatividade
nos leva a julgar a probabilidade das coisas em termos de sua
representação de nosso protótipo para um grupo de itens. Ela
permite que façamos um julgamento rápido, mas também nos leva a
ignorarmos informações relevantes. Por exemplo, se você vê um
sujeito que sempre está vestido socialmente, provavelmente concluirá
que a profissão do mesmo seja advogado, gerente de banco, ou alguma
outra profissão que você conheça e que sabe que exige o uso de
traje formal.
O
uso da heurística intuitiva quando formamos julgamentos, nossa
ansiedade de confirmar as crenças que já possuímos e a habilidade
que temos de explicar nossos erros se combinam para criar o excesso
de confiança (a
tendência a superestimar a exatidão de nossos conhecimentos e
julgamentos).
Intuição
é
um sentimento ou pensamento imediato, automático e sem esforço.
Apesar de algumas vezes nos levar ao desastre, ela pode oferecer um
auxílio instantâneo quando necessário. Pensadores inteligentes dão
boas-vindas a suas intuições, mas as verificam diante das
evidências.
Um
teste adicional de racionalidade é verificar se duas formas
diferentes da mesma questão, logicamente equivalentes, produzirão a
mesma resposta.
Enquadramento
é
a maneira como uma pergunta ou afirmativa é elaborada. Diferenças
sutis de formulação podem alterar drasticamente nossas respostas.
Por exemplo, um cirurgião diz a alguém que 10% das pessoas morrem
ao se submeterem a determinada cirurgia. Outro diz que 90%
sobrevivem. A informação é a mesma, o efeito não.
LINGUAGEM
Os
fonemas
são
a unidade básica de uma língua. Para dizer a palavra “pai”,
pronunciamos os fonemas p,
a
e i.
Linguistas
identifica-ram 869 fonemas diferentes nas falas humanas, após um
levantamento com quase quinhentas linguagens, mas nenhum idioma usa
todos eles. Pessoas que crescem aprendendo um conjunto de fonemas,
normalmente têm dificuldade para pronunciar os fonemas de outra
língua. A linguagem de sinais também tem blocos de construção
pare-cidos com fonemas definidos pelos movimentos e formas das mãos.
Os
morfemas
são
as unidades elementares do significado. A maioria dos morfemas são
combinações de dois ou mais fonemas. Alguns, como “pai”, são
palavras, mas outros são apenas partes de palavras, como os prefixos
e sufixos.
A gramática é o sistema de regras, em uma linguagem, que permite que nos comuniquemos e compreendamos uns aos outros.
A
semântica
é
o conjunto de regras que usamos para extrair o significado a partir
dos morfemas, palavras e frases. A sintaxe
refere-se
às regras que usamos para organizar as palavras nas frases.
As
tentativas de explicar como adquirimos a linguagem despertaram uma
acirrada controvérsia intelectual. O behaviorista B.
F. Skinner propôs
que nosso aprendizado da língua se dava através dos princípios
familiares da associação
(entre a visão das coisas e os sons das palavras), imitação
(de palavras e sintaxe modulados por outros) e pelo reforço
(com sorrisos e abraços após se falar alguma coisa corretamente). O
linguista Noam
Chomsky defende
que nascemos com um dispositivo
de aquisição da linguagem
que nos prepara biologicamente para o aprendizado da língua e nos
equipa com uma gramática universal, que usamos para aprender uma
língua específica. Os pesquisadores cognitivos acreditam que a
infância é o período crítico para se aprender a linguagem falada
ou de sinais.
PENSAMENTO
E LINGUAGEM
O
pensamento e a linguagem são intricadamente entrelaçados.
Muitas
vezes, nós pensamos em imagens ao usarmos a memória procedural –
nosso sistema de memória inconsciente para as habilidades motoras e
cognitivas e associações condicionadas clássicas e operantes.
Pensar em imagens pode aumentar nossas habilidades quando praticamos
mentalmente eventos futuros.
A
linguagem, de fato, influencia o pensamento, mas se o pensamento não
afeta a linguagem, as novas palavras jamais poderiam existir. E novas
palavras, e novas combinações com antigas palavras, expressam novas
ideias.
Então,
podemos dizer que o pensamento afeta nossa linguagem, que, por sua
vez, afeta nosso pensamento.
Pensamento
e linguagem nos animais
Apenas
os humanos são capazes de dominar a expressão verbal ou por sinais
seguindo regras de sintaxe complexas. Não obstante, os primatas e
outros animais demonstram habilidades impressionantes para pensar e
se comunicar.
MYERS,
D.; Psicologia. Rio de Janeiro:LTC, 2012. Cap. 9
Resposta
do desafio: Há duas maneiras de se organizar 6 palitos para formarem
4 triângulos, conforme se vê abaixo.
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