quinta-feira, 13 de outubro de 2016

PPB Aula 6 Pensamento e Linguagem


O pensamento ou a cognição, refere-se a todas as atividades associadas a processa-mento, conhecimento, recordação e comunicação. Os psicólogos cognitivos estudam essas atividades, incluindo os meios lógicos e, às vezes, ilógicos, pelos quais criamos conceitos, resolvemos problemas, fazemos julgamentos e tomamos decisões.

PENSAMENTO

Para pensar sobre os incontáveis eventos, objetos e pessoas em nosso mundo, nós simplificamos as coisas. Para isso formamos conceitos, que são agrupamentos mentais de objetos, eventos e pessoas semelhantes. Por exemplo, no caso de uma cadeira: temos vários tipos de cadeiras, alta, reclinável, de bebê, de dentista; mas todas servem para sentar.
Para simplificar ainda mais, criamos hierarquias de categorias, ou seja, subdividimos essas categorias em unidades menores e mais detalhadas.
Formamos os conceitos por definição, por exemplo, se um triângulo tem três lados, tudo o que tiver três lados será um triângulo.
Com mais frequência, no entanto, formamos nossos conceitos desenvolvendo protótipos, ou seja, uma imagem mental que melhor incorpora todos os aspectos que associamos a uma categoria. Por exemplo, ao vermos um animal de duas pernas, que possui asas e que choca ovos, o identificamos com o protótipo que temos de pássaro.





Solução de problemas

Um tributo à nossa racionalidade é nossa c apacidade de resolver problemas e lidar com novas situações.
Alguns problemas são resolvidos pelo método de tentativa e erro.
Para outros problemas, usamos algoritmos, conjunto de regras e procedimentos completo que garante a solução, ainda que demorado. Ex.: descrição passo a passo para a evacuação de um prédio em caso de incêndio.
Heurística é uma estratégia de pensamento mais simples que pode nos ajudar a resolver problemas rapidamente, mas que, por vezes, nos leva a soluções incorretas. Seguindo o exemplo acima, seria como correr para a sala ao lado ao sentir cheiro de fumaça.
Um insight é um súbito lampejo de inspiração que resolve um problema.
Mas, por mais inventivos que sejamos na resolução de problemas, a resposta certa pode nos iludir.
Com o viés de confirmação, tendemos a buscar provas que confirmem nossas hipóteses com mais disposição do que buscar provas em contrário, sendo este um grande obstáculo para a resolução de problemas.
A fixação é a inabilidade de ver um problema sob uma nova perspectiva. Às vezes, no entanto, um conjunto mental baseado no que funcionou no passado exclui a possibilidade de descobrirmos uma nova solução para um novo problema. Dois exemplos de fixação:
  • Conjunto mental – tendência de abordar um problema com a mente baseada em soluções que funcionaram anteriormente.
  • Fixação funcional – tendência a pensar apenas nas funções que nos são familiares para os objetos, sem imaginar usos alternati-vos. Por exemplo, uma pessoa pode revirar a casa em busca de uma chave de fenda, enquanto uma moeda poderia ser usada para girar um parafuso.
Desafio: Como você organiza 6 palitos de fósforo para formarem 4 triângulos? Se você não conseguiu é porque não está “pensando fora da caixinha”, ou seja, tendo um pensamento livre das amarras convencionais. (Respostas no fim do material)

Tomada de decisões e julgamentos

Quando tomamos decisões e fazemos julgamento centenas de vezes diariamente, raramente paramos ou nos esforçamos para raciocinar.
Quando precisamos agir com rapidez, os atalhos mentais que denominamos heurísticas, quase sempre nos ajudam. Graças ao processamento automático das informações pela nossa mente, os julgamentos intuitivos são automáticos. Mas o preço que às vezes temos que pagar pode ser alto.
A heurística da representatividade nos leva a julgar a probabilidade das coisas em termos de sua representação de nosso protótipo para um grupo de itens. Ela permite que façamos um julgamento rápido, mas também nos leva a ignorarmos informações relevantes. Por exemplo, se você vê um sujeito que sempre está vestido socialmente, provavelmente concluirá que a profissão do mesmo seja advogado, gerente de banco, ou alguma outra profissão que você conheça e que sabe que exige o uso de traje formal.
A heurística da disponibilidade nos leva estimar a probabilidade dos acontecimentos com base em sua disponibilidade na memória, o que muitas vezes nos leva a temer as coisas erradas. Mui-tas vezes estamos mais confiantes do que corretos. Ex.: Um indivíduo pode calcular a probabilidade de um jovem ter problemas cardíacos recordando casos deste tipo que ocorreram em sua família.
O uso da heurística intuitiva quando formamos julgamentos, nossa ansiedade de confirmar as crenças que já possuímos e a habilidade que temos de explicar nossos erros se combinam para criar o excesso de confiança (a tendência a superestimar a exatidão de nossos conhecimentos e julgamentos).
Intuição é um sentimento ou pensamento imediato, automático e sem esforço. Apesar de algumas vezes nos levar ao desastre, ela pode oferecer um auxílio instantâneo quando necessário. Pensadores inteligentes dão boas-vindas a suas intuições, mas as verificam diante das evidências.
Um teste adicional de racionalidade é verificar se duas formas diferentes da mesma questão, logicamente equivalentes, produzirão a mesma resposta.
Enquadramento é a maneira como uma pergunta ou afirmativa é elaborada. Diferenças sutis de formulação podem alterar drasticamente nossas respostas. Por exemplo, um cirurgião diz a alguém que 10% das pessoas morrem ao se submeterem a determinada cirurgia. Outro diz que 90% sobrevivem. A informação é a mesma, o efeito não.

LINGUAGEM

Os impressionantes efeitos do em-quadramento ilustram o poder da línguagem – nossas palavras faladas, escritas ou sinalizadas e a maneira como as combinamos para comunicar significa-dos. Graças à linguagem, transferimos significados de uma mente para outra. Ela nos possibilita não só nos comunicarmos, como transmitir o conhecimento acumulado da civilização ao longo das gerações.
Os fonemas são a unidade básica de uma língua. Para dizer a palavra “pai”, pronunciamos os fonemas p, a e i. Linguistas identifica-ram 869 fonemas diferentes nas falas humanas, após um levantamento com quase quinhentas linguagens, mas nenhum idioma usa todos eles. Pessoas que crescem aprendendo um conjunto de fonemas, normalmente têm dificuldade para pronunciar os fonemas de outra língua. A linguagem de sinais também tem blocos de construção pare-cidos com fonemas definidos pelos movimentos e formas das mãos.
Os morfemas são as unidades elementares do significado. A maioria dos morfemas são combinações de dois ou mais fonemas. Alguns, como “pai”, são palavras, mas outros são apenas partes de palavras, como os prefixos e sufixos.

A
gramática é o sistema de regras, em uma linguagem, que permite que nos comuniquemos e compreendamos uns aos outros.
A semântica é o conjunto de regras que usamos para extrair o significado a partir dos morfemas, palavras e frases. A sintaxe refere-se às regras que usamos para organizar as palavras nas frases.
O tempo para o desenvolvimento da linguagem nas crianças pode variar, mas todas seguem a mesma sequência. Em torno dos 4 meses, os bebês balbuciam, emitindo sons que podem ser encontrados em todas as línguas do mundo. Próximo dos 10 meses, o balbucio contém apenas os sons presentes na língua nativa. Por volta dos 12 meses de idade, as crian-ças começam a falar por meio de uma palavra. Esse estágio de uma palavra evolui para duas palavras (linguagem telegráfica) antes do segundo ano de vida, e depois disso, elas começam a falar frases completas.



As tentativas de explicar como adquirimos a linguagem despertaram uma acirrada controvérsia intelectual. O behaviorista B. F. Skinner propôs que nosso aprendizado da língua se dava através dos princípios familiares da associação (entre a visão das coisas e os sons das palavras), imitação (de palavras e sintaxe modulados por outros) e pelo reforço (com sorrisos e abraços após se falar alguma coisa corretamente). O linguista Noam Chomsky defende que nascemos com um dispositivo de aquisição da linguagem que nos prepara biologicamente para o aprendizado da língua e nos equipa com uma gramática universal, que usamos para aprender uma língua específica. Os pesquisadores cognitivos acreditam que a infância é o período crítico para se aprender a linguagem falada ou de sinais.
Várias áreas do cérebro estão env-olvidas no proces-samento da língua-gem. Quando le-mos em voz alta, o córtex visual re-gistra as palavras como estímulos vi-suais, o giro angu-lar transforma es-sas representações visuais em códigos auditivos, a área de Werneckie interpreta esses códigos e envia a mensagem para a área de Broca, que controla o córtex motor enquanto ele cria as palavras pronunciadas.











PENSAMENTO E LINGUAGEM

O pensamento e a linguagem são intricadamente entrelaçados.
Apesar da hipótese do determi-nismo linguístico de Whorf ter sugerido que a linguagem determina o pensamen-to, é mais preciso dizer que a linguagem influencia o pensamento. Diferentes linguagens incorporam diferentes ma-neiras de pensar, e a imersão na educa-ção bilíngue pode aprimorar o pensa-mento.
Muitas vezes, nós pensamos em imagens ao usarmos a memória procedural – nosso sistema de memória inconsciente para as habilidades motoras e cognitivas e associações condicionadas clássicas e operantes. Pensar em imagens pode aumentar nossas habilidades quando praticamos mentalmente eventos futuros.
A linguagem, de fato, influencia o pensamento, mas se o pensamento não afeta a linguagem, as novas palavras jamais poderiam existir. E novas palavras, e novas combinações com antigas palavras, expressam novas ideias.
Então, podemos dizer que o pensamento afeta nossa linguagem, que, por sua vez, afeta nosso pensamento.



Pensamento e linguagem nos animais

Tanto humanos quanto os grandes macacos formam conceitos, manifestam insight, usam e criam ferramentas, demonstram habilidades numéricas e transmitem inovações culturais. Os grandes macacos, os golfinhos e os elefantes demonstraram autoconsciência, reconhecendo-se em um espelho. E, como criaturas sociais, os chimpanzés demostraram altruísmo, cooperação e agressão em grupo.
Um certo número de chimpanzés aprendeu a se comunicar com os humanos usando a linguagem de sinais ou pressionando botões conectados a um computador, desenvolveram vocabulários com cerca de 200 palavras, se comunicaram agrupando essas palavras e ensinaram suas habilidades para os filhotes. Para os chimpanzés, assim como para os humanos, os primeiros anos de vida são essenciais para o aprendizado da linguagem.





Apenas os humanos são capazes de dominar a expressão verbal ou por sinais seguindo regras de sintaxe complexas. Não obstante, os primatas e outros animais demonstram habilidades impressionantes para pensar e se comunicar.

MYERS, D.; Psicologia. Rio de Janeiro:LTC, 2012. Cap. 9







Resposta do desafio: Há duas maneiras de se organizar 6 palitos para formarem 4 triângulos, conforme se vê abaixo.


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